domingo, 22 de março de 2015

Cursos de Educação Especial: necessidade de maior componente prática



Um das críticas que se faz às pós-graduações que habilitam os professores a exercer a docência na Educação Especial, além da reduzida carga horária (comparativamente com os cursos ministrados em épocas passadas), é a falta de componente prática, de contacto com a realidade que os estudantes pós-graduados irão enfrentar na escola. 

Por norma, os professores do ensino superior que lecionam nestas pós-graduações não tem nenhum contato com a realidade quotidiana das escolas, principalmente no que concerne às perceções e práticas da educação especial e inclusiva. 

Era de todo o interesse mudar a filosofia e organização destas pós-graduações, chamando os atores do terreno de educação especial, aqueles que já estão a trabalhar na área e podem transmitir a sua experiência aos futuros colegas. Esta experiência pode ser relativa aos procedimentos burocráticos, legislação e sua interpretação pelos professores e outros intervenientes, o papel dos assistentes operacionais, a natureza das relações entre professor da educação especial e diretor de turma e/ou professor do ensino regular, o papel dos pais, métodos, técnicas e materiais para intervenção psicoeducacional junto dos alunos com necessidades educativas especiais, etc.

Assim, devo tecer um elogio à professora Sónia Seixas, vice-diretora da Escola Superior de Educação de Santarém e responsável pelas pós-graduações de Intervenção Precoce e Educação Especial daquela instituição, que percebeu que estes cursos saíram mais enriquecidos com a participação, ainda que esporádica, de atores de terreno da educação especial. 

Foi neste contexto que aceitei o convite desta docente e dinamizei, ontem, na ESE Santarém, um seminário intitulado "Perturbação do Espectro do Autismo. Teoria.Intervenção.Inclusão", onde além de abordar a questão do autismo, aflorei um pouco as questões acima referidas.

Foi uma boa experiência para mim e, penso, também para as pessoas que, ontem, foram minhas alunas, mas amanhã poderão ser minhas colegas!

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